Os Maias

de Eça de Queirós

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Editor: Neolivros

Ano de edição: 2001

Páginas: 434

Ortografia: Ortografia Original

Categorias: RomanceLiteratura Portuguesa

Sinopse

A obra Os Maias é notável, principalmente pela sua linguagem e, também, pela ironia utilizada para apresentar as situações. É um romance realista, onde o leitor se depara com o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe que caracterizam o enredo passional.

A obra conta a história da família Maia, ao longo de três gerações, acabando por se centrar na última geração, evidenciando os amores incestuosos de Carlos da Maia e Maria Eduarda.

De referir ainda a crítica à situação do país, a nível político e cultural, e também à alta burguesia lisboeta oitocentista.


Autor

Eça de Queirós

Eça de Queirós é considerado um dos autores mais importantes da língua portuguesa, integrando a notável Geração de 70. Destaca-se pela originalidade e riqueza da sua linguagem, nomeadamente pelo seu realismo descritivo e pela crítica à sociedade contemporânea constante nas suas obras.

O seu acervo inclui obras como "Os Maias", "O Primo Basílio", "O Mandarim", "A Relíquia" ou "A Cidade e as Serras".

Não descurou a participação activa na vida do país. Para além de escritor e ensaísta, foi jornalista e epistológrafo, tendo ocupado alguns cargos políticos.


Excerto

A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na vizinhança da rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de Residência Eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da Sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilar-se-ia a um Colégio de Jesuítas. O nome de Ramalhete provinha de certo dum revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do Escudo de Armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números duma data.

Longos anos o Ramalhete permanecera desabitado, com teias de aranha pelas grades dos postigos térreos, e cobrindo-se de tons de ruína. Em 1858 Monsenhor Bucarini, Núncio de S. Santidade, visitara-o com ideia de instalar lá a Nunciatura, seduzido pela gravidade clerical do edifício e pela paz dormente do bairro: e o interior do casarão agradara-lhe também, com a sua disposição apalaçada, os tectos apainelados, as paredes cobertas de frescos onde já desmaiavam as rosas das grinaldas e as faces dos Cupidinhos. Mas Monsenhor, com os seus hábitos de rico prelado romano, necessitava na sua vivenda os arvoredos e as águas dum jardim de luxo: e o Ramalhete possuía apenas, ao fundo dum terraço de tijolo, um pobre quintal inculto, abandonado ás ervas bravas, com um cipreste, um cedro, uma cascatasinha seca, um tanque entulhado, e uma estátua de mármore (onde Monsenhor reconheceu logo Vénus Citereia) enegrecendo a um canto na lenta humidade das ramagens silvestres. Além disso, a renda que pediu o velho Vilaça, procurador dos Maias, pareceu tão exagerada a Monsenhor, que lhe perguntou sorrindo se ainda julgava a Igreja nos tempos de Leão X. Vilaça respondeu - que também a nobreza não estava nos tempos do Sr. D. João V. E o Ramalhete, continuou desabitado.