As Pupilas do Senhor Reitor

de Júlio Dinis

image

Ebook - ePub / PDF

Pague o que quiser!

Editor: Neolivros

Ano de edição: 2007

Ano de edição original: 1866

Páginas: 368

Categorias: Romance

Sinopse

As Pupilas do Senhor Reitor, romance de Júlio Dinis publicado pela primeira vez em 1866.

Nesta obra, os filhos do fazendeiro José das Dornas, Pedro e Daniel, envolvem-se em disputas relativas a duas órfãs, Clara e Margarida, entregues ao reitor da aldeia.

Daniel, ainda seminarista, apaixona-se por Margarida. O pai vê-se forçado a enviá-lo para estudar medicina. Aquando do seu regresso à aldeia interessa-se por Clara, então noiva de Pedro, colocando em causa o bom nome da família.

A obra foi ainda adaptada ao cinema três vezes e utilizada em produções televisivas.


Autor

Júlio Dinis, pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nasce no Porto em 1839. Licencia-se em medicina pela Escola Médica do Porto onde virá também a leccionar.

Notabilizou-se como romancista, embora tenha escrito também poesia e teatro. Integra a geração de transição entre o romantismo e o realismo. Júlio Dinis preocupa-se em relatar com exactidão o mundo rural português do século XIX, privilegiando claramente uma temática campesina. São exemplos "As Pupilas do Senhor Reitor" (1866), "A Morgadinha dos Canaviais" (1868) e "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (1871). Não descura, porém, uma temática urbana presente em "Uma Família Inglesa" (1868).

Morre em 1871 vítima de tuberculose.


Excerto

I

José das Dornas era um lavrador abastado, sadio e de uma tão feliz disposição de génio, que tudo levava a rir; mas desse rir natural, sincero e despreocupado, que lhe fazia bem, e não do rir dos Demócritos de todos os tempos - rir céptico, forçado, desconsolador, que é mil vezes pior do que o chorar. 

Em negócio de lavoura, dava, como se costuma dizer, sota e ás ao mais pintado. Até o Sr. Morais Soares teria que aprender com ele. Apesar dos seus sessenta anos, desafiava em robustez e actividade qualquer rapaz de vinte. Era-lhe familiar o canto matinal do galo, e o amanhecer já não tinha para ele segredos não revelados. O sol encontrava-o sempre de pé, e em pé o deixava ao esconder-se. 

Estas qualidades, juntas a uma longa experiência adquirida à custa de muito sol e muita chuva em campo descoberto, faziam dele um lavrador consumado, o que, diga-se a verdade, era confessado por todos, sem esforço de malquerenças e murmurações. Diz-se que quem mais faz menos merece e que mais vale quem Deus ajuda do que quem muito madruga, e não sei o que mais; será assim; mas desta vez parecia que se desmentira o ditado, ou pelo menos que o facto das madrugadas não excluíra o auxílio providencial, porque José das Dornas prosperava a olhos vistos. Ali por fins de Agosto era um tal de entrar de carros de milho pelas portas do quinteiro dentro! S. Miguel mais farto poucos se gabavam de ter. Que abundância por aquela casa! Ninguém era pobre com ele; louvado Deus! 

Como homem de família, não havia também que por a boca em José das Dornas. Em perfeita e exemplar harmonia vivera vinte anos com sua mulher, e então, como depois que viuvara, manifestou sempre pelos filhos uma solicitude, não revelada por meiguices - que lhe não estavam no génio - mas que, nas ocasiões, se denunciava por sacrifícios de fazerem hesitar os mais extremosos.