Os Passos do Destino

de Carla Ribeiro Carina Portugal
Editor: Neolivros
Ano de edição: 2009
Páginas/Palavras: 110/0
Categorias: Conto | Fantástico
Sinopse
Quando se conta uma história, abrem-se ao leitor as portas de um novo mundo. Mas onde está a razão das histórias se não há ninguém para as conhecer? É este o objectivo deste conjunto de quatro contos situados no género do fantástico. Dar a conhecer os mundos e a imaginação das autoras que os criaram e mostrar as imagens e os sentidos que neles se escondem. São espadas e anjos, piratas e profetas, unidos e fragmentados na diversidade dos seus próprios mundos. E, no essencial, uma unidade constante: a da vontade de contar e de partilhar o imaginário.
O autor
Carla Ribeiro
Carla Ribeiro, estudante de Medicina Veterinária, natural de S. Martinho de Mouros, nasceu a 20 de Julho de 1986. Premiada em vários concursos literários, tem textos publicados em diversas antologias e colabora assiduamente em diversas publicações electrónicas. Publicou, além disso, os livros “Estrela sem Norte”, “Alma de Fogo”, “Canto de Eternidade”, “Herdeiros de Arasen, vol. I”, “Herdeiros de Arasen, vol. II” , “O Deus Maldito”, “Alma Abandonada”, “Dualidades” (este em co-autoria com Susana Catalão) e “E Morreram Felizes para Sempre”, bem como os e-books “Derivações de Além-Vida”, “Coração Selvagem” e “Fragmentos de Sombra” (este último também na Neolivros). Informação sobre as publicações e excertos das mesmas podem ser encontrados em www.freewebs.com/carlaribeiro
Carina Portugal
Carina Raquel da Costa Portugal Monteiro nasceu a 19 de Junho de 1989, no distrito de Lisboa. Mora actualmente na Amadora e estuda Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Escreve prosa e poesia por gosto e amor às letras e participou já em alguns projectos, entre os quais a revista literária Alterwords. Alguns dos textos, principalmente de poesia, podem ser consultados no blog da autora: http://asameiasdocrepusculo.blogspot.com
Excerto
A chuva escorria sobre o seu corpo de pedra, rígido e frio como as paredes do templo que pretendia guardar. Grossas gotas caíam das extremidades das suas asas cor de cinza, eternamente imobilizadas num voo interrompido, enquanto, no mesmo estóico olhar que habitava o seu rosto resignado, firme como a pedra em que fora moldado, parecia pairar toda a paciência dos séculos.
Contava-se, na verdade, por séculos o tempo que decorrera desde que ali fora aprisionado, condenado à eterna imobilidade para expiação da sua traição, e, ainda que nunca o seu rosto fosse capaz de se moldar num ricto de agonia nem o seu olhar de derramar uma única lágrima, o seu tormento permanecia, interminável, na consciência do que fora e daquilo em que se tornara.
Perdido no ruidoso silêncio da chuva torrencial, fitava as ruas através da semi-obscuridade do final da tarde, observando os poucos passantes que se atreviam a caminhar sob a sombra da tempestade. Para os humanos, aquele era apenas mais um dia de temporal, um momento aborrecido, mas que acabaria por passar. Para ele, contudo, era a mais próxima memória que guardava da vida antes da condenação, do dia chuvoso em que, perante o abismo daqueles altos muros, fora arrancado do seu corpo cada ínfimo sopro de poder.
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